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  • Laila Rotter Schmidt

A história dos banners Projetar.org

Atualizado: 29 de Jul de 2019

Até o dia 05 de agosto estarão abertas as votações populares do prêmio Brasil Design Awards. E o banner do 27º Concurso Projetar.org é uma das 7 peças da Tête-à-Tête que está concorrendo. É o primeiro ano que inscrevemos peças neste importante prêmio, e estamos empolgados!



Para quem não sabe, além de sócia do Projetar.org, eu tenho um pequeno estúdio de design chamado Tête-à-Tête, que é responsável pela comunicação deste que não é só o primeiro portal de concursos de ideias do Brasil, mas se consolidou como o maior e mais respeitado dentre acadêmicos e recém-formados de arquitetura em todo o país. Já tivemos, inclusive, muitos participantes de outros lugares do mundo também.

É normal que os concursos de arquitetura organizados por outras instituições (até mesmo os concursos profissionais) sejam divulgados com imagens genéricas (geralmente um croqui de arquitetura, ou às vezes uma foto de banco de imagem de pessoas ou de um edifício). Logo que entrei no Portal Projetar.org, tratei de convencer meus sócios de que poderíamos usar o design como ferramenta não só para fazer diferente, mas para ter melhores resultados.

Eu sempre entendi o banner como um cartaz, só que no contexto virtual. Ao invés de ser visto nas paredes da cidade, ele aparece "colado" na timeline das redes sociais, e tem uma fração de segundo para chamar a atenção e fazer quem está passando parar para ver. E cartaz é sobre imagem, afinal, somos seres visuais e a comunicação imagética pode ser muito mais significativa e rápida que a comunicação verbal.



Acredito que se o objetivo deste banner é divulgar um desafio projetual, ele precisa, em primeiro lugar, despertar uma certa inquietação. Participar de um concurso é para quem gosta de se desafiar, para quem busca oportunidades de sair da zona de conforto e fazer mais que o mínimo necessário, especialmente durante os anos de graduação.

Então essa imagem precisa ser simples o suficiente para ser compreendida rapidamente, mas poderosa o suficiente para despertar o interesse pelo desafio.

Desde o início, optamos por um caminho conceitual. Criamos uma regra muito clara e que é seguida até hoje: o banner não deve sugerir nenhum elemento arquitetônico. Nenhuma forma, nenhum volume, nenhuma geometria. Parece estranho, pois afinal seriam esses os elementos mais óbvios para comunicar o tema. No entanto, entendo que o banner deve inspirar interesse pelo desafio e pelo tema, mas de forma alguma direcionar ou dar alguma pista sobre os caminhos projetuais a serem seguidos pelos acadêmicos.

Começamos o Projetar.org sem muitas expectativas, então a criação dos banners sempre foi muito livre. Eu basicamente podia fazer o que quisesse. Esse espaço se tornou, para mim, como designer, um espaço de experimentação.




Hoje, 7 anos se passaram e 36 concursos já foram realizados. Tive a colaboração da minha equipe na Tête-à-Tête e dos meus sócios na Projeta.org em algumas criações, e no último concurso, pela primeira vez, tivemos um artista convidado para criá-lo para nós. Tirando estas exceções, todos eles foram criados por mim (Agradecimentos especiais ao Caio que estava sempre perto contribuindo com insights e críticas quando necessário).

Confesso que gosto mais de alguns do que de outros. Mas todos eles tem uma história, e dizem algo sobre a minha trajetória, sobre os aprendizados e inquietações de cada momento, em especial com a interseção desta trajetória com a Projetar.org.

Ano passado abri mão da coordenação dos cursos de Design Gráfico e Publicidade, e me afastei das salas de aula, para me dedicar mais ao Portal. É sempre difícil deixar algo para trás mas sempre bom abir novos horizontes, e já vejo o resultado deste tempo adicional dedicado nos nossos resultados.

Hoje, olhando para trás, penso que poderia ter ousado mais. Mas isso também é um aprendizado e um processo. Tenho muita vontade de fazer parcerias e criar banners em conjunto com designers que admiro. Vamos ver o que trará o futuro. Se tudo der certo, ainda teremos muitos concursos pela frente.

O 023, concurso realizado em parceria com a Zupi, foi super marcante. O desafio era projetar um Museu da Criatividade. Foi a primeira vez que fizemos uma série de banners ao invés de um único. E também foi um dos melhores resultados que tivemos com experimentações com materiais. A ideia de fazer maquetes com as revistas surgiu em uma viagem pra SP, em uma visita à exposição do Sou Fujimoto na Japan House. Lembro de ter chego à Cascavel eufórica, sem saber muito bem como executar a ideia. No fim montamos e fotografamos as maquetes eu, Rafael e Caio no domingo, na estúdio da empresa do Rafa, a Sapato Show. Como ia voltar para SP no dia seguinte, levei o computador e passei um dia tomando chai no Starbucks e tratando as imagens, pois o lançamento do Concurso era nos dias seguintes.



Eu gosto muito do banner do concurso 012 também. O desafio era criar um presídio inclusivo. O conceito é simples demais, talvez por isso gosto dele. Foi feito com papel amassado e fotografado, e as barras foram sobrepostas no Photoshop. Quanto mais liberdade você dá (barras mais espaçadas), menos o papel fica amassado. Ou seja, as pessoas podem mudar, e esse era o desafio do concurso, projetar um espaço para isso acontecer.


Outro que tem uma imagem simples e muito significativa é o 024. O desafio era criar uma casa portátil para moradores de rua. A ideia é que se você mora na rua, sua casa é todo lugar onde você pára. Então o banner mostra esse caminho e cada uma das paradas. Foi a primeira vez que integramos tipografia no banner, então foi um passo muito importante, que ainda não consegui desenvolver plenamente, mas estou em processo.


Gosto muito do banner 030, Bauhaus Brasil, que foi nosso primeiro concurso internacional, lançado no início deste ano. Bauhaus pra mim é uma verdadeira paixão, então foi um processo delicioso, horas e horas de pesquisa até achar a referência perfeita e fazer uma releitura contemporânea. Me diverti muito nesse banner, e gosto do visual meio caótico-organizado do resultado.


E o que dizer do Galeria MUC? Esse projeto começou como banner e virou uma ativação em um estande enorme no meio do Pixel Show 2017. Pensando na questão do uso de tipografia, também foi um marco. E foi especialmente desafiador criar uma imagem para um concurso de design, o que para mim é ainda mais difícil que criar para arquitetura, pensando naquela questão de não influenciar. Então criamos uma logo vazia, a ser preenchida pelos participantes.

Mas essa é uma longa história, fica para outro post. O projeto completo da Galeria MUC, que fizemos em parceria com o Studio CSD, você consegue ver aqui.



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