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  • Caio Smolarek Dias

Papo com Caio Calafate

Do tempo que morei no Rio de Janeiro tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas interessantes. Por consequência, pessoas interessantes conhecem pessoas interessantes. Muitos dos jurados da Projetar.org fazem parte deste círculo de amizades deste período, pessoas ligadas à arquitetura conceitual e assíduos participantes de concursos.


Caio faz parte do Grupo de Arquitetos, ou Gru.A, um escritório cuja atuação permeia por diferentes escalas e tipos de projeto. Ao longo dos últimos anos o grua elaborou projetos e obras de centros culturais, teatros, exposições, residências, instituições da área da saúde, instalações artísticas, intervenções em bens protegidos e outros.


Para o concurso da Galeria da Reexistência, onde convidamos os alunos a proporem um anexo para o Museu Nacional, uma grande coincidência: além do Caio ter essa bagagem de edificações efêmeras e culturais, ele estava fazendo uma disciplina do seu doutorado no edifício que pegou fogo, na Quinta da Boa Vista. O convite parecia óbvio.


Agradecemos muito ao Caio por ter aceito o nosso convite novamente (ele já foi jurado no concurso 016 - Infopoint das Olimpíadas), principalmente por responder essas perguntas na semana que seu filho nasceu.


1. A produção do Gru.A conta com projetos efêmeros, ligados às artes, sejam instalações, pavilhões e afins. Na sua opinião é importante pensar em um local, mesmo que efêmero, para abrigar o restante do acervo do Museu Nacional?

Creio que sim, temporariamente. É fundamental que tenhamos a mão um rol de soluções que possam mitigar os efeitos da degradação que o restante do acervo irá sofrer estando exposto as ações das intempéries. No entanto, creio que o MN deveria buscar, a médio e longo prazo, a construção de um pavilhão de acervos dotado de todas as qualidades necessárias a sua correta preservação.


2. Durante seu doutorado você teve aulas no edifício do Museu Nacional. Você poderia dividir conosco qual era a sensação de frequentar aquele espaço?

Frequentei uma disciplina do PPGAS ( Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional) no segundo semestre de 2018, justamente quando o palácio foi tomado pelas chamas. Foi muito forte viver, ao longo de três meses, a experiência da arquitetura e do paisagismo do Museu. Contava aos meus colegas arquitetos, emocionado, que estava frequentando o mais lindo pátio da arquitetura brasileira, o pátio do PPGAS, dentro do palácio. As chamas o destruíram por completo mas a vida do Museu não cessa. Os alunos, professores e funcionários mantém a pesquisa viva, a despeito, do lastimável incêndio.


3. Nós estamos convidando as equipes participantes a pensar em uma arquitetura contemporânea ao lado do maior símbolo da arquitetura clássica brasileira. Que dica você daria para os acadêmicos e recém-formados que estão participando do Concurso?

Minha sugestão para os concorrentes é levar muitíssimo em conta a ideia de intervenção. Qual o estatuto do construído, frente aos patrimônios ambiental e arquitetura com a qual seu projeto tecerá relação? Os trabalhos que tencionarem essa relação, problematizando o lugar do construído, poderão ter êxito e deixar uma contribuição.



CAIO CALAFATE é arquiteto pela PUC-Rio (2010) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Design da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ. É mestre em projeto de arquitetura pela PUC-Rio (2015). Foi editor da revista noz entre 2007 e 2010. Desde 2015 é professor de projeto do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula. É sócio do gru.a (grupo de arquitetos), sendo premiado em diferentes concursos de arquitetura.

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