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  • Laila Rotter Schmidt

Papo com ps.2 arquitetos - Fábio Prata e Flávia Nalon

Atualizado: 19 de Fev de 2018

Conheci o trabalho da ps.2 arquitetura + design por acaso, há uns dois anos, quando estava começando minha pesquisa sobre relações entre arquitetura e design gráfico. A sutileza formal e profundidade conceitual dos trabalhos do escritório são extremamente inspiradores. Também fiquei encantada com a forma como o Fábio e a Flávia articulam arquitetura e design gráfico, dissolvendo as barreiras entre as disciplinas. Sempre acreditei que arquitetos e designers tem muito a ganhar trabalhando juntos - tanto que divido o escritório, o Portal Projetar, e a vida com um arquiteto, o Caio. A paixão dele pela arquitetura é contagiante, e com frequência o papo à mesa de jantar é sobre linhas, pontos, planos e todas as outras coisas que design e arquitetura compartilham.


Quando estava organizando o júri do Concurso 003 MUC, pensei na ps.2 arquitetos na hora - dada a sua experiência com identidades visuais de museus (uma das minhas favoritas é a do MIS, belíssima!). Revirei minha lista de contatos em busca de alguém que pudesse me colocar em contato com eles, sem sucesso. Alguns dias depois, em um ímpeto de coragem (que saiu não sei de onde), peguei o telefone e liguei no escritório. Para a minha surpresa, não só consegui falar com o Fábio, como ele prontamente aceitou o convite para ser jurado. Nos conhecemos pessoalmente durante as Sharp Talks do Pixel Show 2017, quando confirmei minha primeira impressão: além de profissionais incríveis, Fábio e Flávia são pessoas super generosas e acessíveis. Foi um daqueles momentos mágicos, em que você fica frente a frente com seus ídolos, sabe? Deixo aqui mais uma vez meu agradecimento aos dois, com toda a minha admiração, por aceitarem participar do júri e compartilhar algumas ideias inspiradoras neste papo de projeto.



1. Vocês já participaram ou costumam participar de concursos? Qual é a importância desta prática para vocês?

Nós já participamos de concursos fechados, em que alguns escritórios são selecionados e recebem uma verba para apresentar uma proposta criativa. Entretanto nossa avaliação é a de que esta forma de trabalho está errada. Em primeiro lugar o profissional não está sendo remunerado de forma adequada pelo seu trabalho. Em segundo lugar, não há colaboração entre designer e cliente – não há possibilidade de diálogo e troca. O designer é obrigado a mergulhar em um caminho sem volta, num processo de adivinhação das expectativas do cliente, que não faz o menor sentido. Dúvidas que poderiam ser esclarecidas em um telefonema, só vem a tona na hora da entrega do concurso, depois de semanas de trabalho. Enfim, é um processo muito ineficiente, em que saem perdendo designers e clientes.

Os concursos para estudantes, por outro lado, podem ser uma forma interessante de estímulo ao trabalho em equipe, uma oportunidade de encarar um projeto mais complexo, e é claro, uma forma de novos designers trazerem a público suas idéias e propostas criativas.


2. O que faz os olhos brilharem ao ver o portfolio de um estudante ou de um profissional em um processo seletivo para trabalhar com vocês?

O trabalho que nos interessa é simples e objetivo, tem um conceito forte, inteligente, que amplia a percepção do conteúdo tratado.


3. No processo de criação da ps.2 como funciona a colaboração e interação entre Flávia, Fábio e o restante da equipe?

Geralmente escolhemos para cada projeto um designer da equipe, que vai ser o responsável pelo desenvolvimento e coordenação deste trabalho. Eu e a Flávia, ou um de nós dois, tem então uma conversa inicial com o designer onde discutimos o briefing, pensamos em conceitos relacionados, referências e possíveis caminhos. Cabe então ao designer avançar em uma primeira etapa de pesquisa e depois início dos estudos. Muitos projetos passam, entretanto, pelas mãos de mais de um designer. Em muitos casos temos mais de uma pessoa investigando caminhos criativos para aquele projeto.

Para alguns trabalhos nós ampliamos a equipe convidando antigos membros da equipe a colaborar conosco. E nos casos de serviços que não desenvolvemos internamente, como ilustrações, animações e vídeos, nós trabalhamos com escritórios parceiros.


4. Em meio à complexidade do contexto contemporâneo, vocês acreditam que há espaço para o design minimalista, de base modernista?

Achamos que o pensamento racional e minimalista pode resultar em trabalhos espetaculares, fortes e impactantes, mas também monótonos e previsíveis, puramente formais e sem uma proposta conceitual. A questão para nós é pensar de que forma você melhor se expressa, como designer, e seguir este caminho.

Fábio Prata e Flávia Nalon são arquitetos formados pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU–USP), e mestres em Design da Comunicação pela Fachhochschule Mainz (FH Mainz), na Alemanha. Desde 2003 dirigem juntos a ps.2 arquitetura + design, escritório em São Paulo que cria e desenvolve projetos gráficos para mídia impressa e digital. Fazem parte do portfólio da ps.2 trabalhos de identidade e comunicação visual, sinalização, livros, revistas, catálogos, peças promocionais e sites, especialmente na área cultural. A ps.2 recebeu mais de 70 prêmios nacionais e internacionais – incluindo o alemão red dot 'best of the best' e o TDC New York – além de ter sido publicada e participado de exposições em diversos países, como França, Holanda, Estados Unidos, Eslovênia, China e Japão. Fábio e Flávia são membros da AGI – Alliance Graphique Internationale e da ISTD – International Society of Typographic Designers.

A dupla integrou o júri do 3º concurso de design do Portal de Concursos de Ideias para Estudantes Projetar.org

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