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  • Caio Smolarek Dias

Papo com Felipe Sanquetta

Atualizado: 13 de Ago de 2018

A projetar nasceu como um sonho, já que em 2012 não existiam alternativas para os estudantes participarem de concursos de ideias. Ao nosso ver, cada um dos concursos que lançamos, sejam eles mais ou menos populares, auxiliaram a nova geração de arquitetos a pensar mais sobre a profissão e sobre o modus operandi da arquitetura no Brasil. Foi o caso com o Felipe Sanquetta, estudante que em seu primeiro concurso de estudantes foi premiado com o 1º lugar no Concurso 009 Ponte Parque de Florianópolis. De lá prá cá fez parte da equipe do Estúdio 41 e hoje atua como arquiteto no escritório de Marcos Bertoldi.


Fiquei muito orgulhoso, devo admitir, quando recebi a mensagem do Felipe, agora um arquiteto, se colocando à disposição para ser jurado de um de nossos concursos. Orgulhoso por ser um profissional presente no ramo de concursos, mas principalmente por ter feito parte da nossa história - hoje como jurado do Concurso 027 Habitação Social no Largo do Paissandú.


Abaixo segue a entrevista com ele, espero que gostem:


1. Você participou de concursos de arquitetura durante toda a sua formação?

Participei do primeiro concurso de estudantes no terceiro ano da faculdade, justamente o concurso de 009 do Projetar.orgPonte Parque em Florianópolis e fui premiado com o primeiro lugar. Até hoje, acredito que conquistar uma premiação no primeiro concurso é algo que não é muito comum. Após esse resultado, entendemos a importância do processo de produção de propostas para concursos, algo que envolve tempo, organização e dedicação de forma extra-curricular e também construção de amizades durante o trabalho em equipe. Após essa primeira experiência, já estive envolvido em outros 30 certames nacionais e internacionais e cerca de 10 premiações entre concursos de estudantes, colaboração em concursos profissionais e como co-autor.


2. Nos escritórios que estagiou | trabalhou, a cultura de concursos era presente?

Obviamente que nem todos os escritórios possuem essa cultura, mas tive a oportunidade de colaborar por um ano e meio no Estúdio 41, escritório que se dedica a produção de projetos de arquitetura para concursos, tendo recebido diversas premiações. Além de possuir uma estrutura horizontalizada, o trabalho era muito colaborativo, portanto para as discussões de partido tanto os sócios, como colaboradores podiam apresentar sua proposta, discutir e participar. Ali pude amadurecer ideias e aprender com pessoas que dedicam anos das suas vidas nessa linha de trabalho e vi as diferenças relevantes entre concursos profissionais e de estudante.


3. O fato de ter ganho o concurso da Projetar fez com que portas se abrissem para você?

Com certeza isso conta no seu currículo acadêmico, tanto em uma seleção de vaga de colaborador/estágio, como o reconhecimento de colegas, professores e profissionais. Mas acho que o mais importante é a concretização do resultado de um processo e dar continuidade a essa prática e aprendizado.


4. O que você tira de positivo e de negativo da cultura de concursos?

Sou sempre otimista, mesmo reconhecendo seus problemas, porque acredito que independente se for um concurso de ideias ou profissional, normalmente as premiações são bastante coerentes. Acredito que seja uma ferramenta importante para a valorização do trabalho do estudante e do arquiteto, sendo a forma mais democrática de contratação. Existem diversos problemas de mal remuneração, desorganização, burocratização do processo e o principal, o fato de não termos muitos concursos no Brasil. Por fim, vejo que desde o primeiro concurso que fiz em 2015, o número de concursos vem aumentado, gerando resultados e discussões pertinentes no meio da arquitetura, portanto o portal Projetar.org vem fazendo parte desse processo de fomentar a prática dessa modalidade e qualificar a formação de profissionais do país.



Felipe Sanquetta é arquiteto no escritório Marcos Bertoldi Arquitetos em Curitiba. Formado pela Universidade Positivo (UP) com extensão acadêmica na ETSAC - Corunha, Espanha. Foi colaborador no Estúdio 41 entre 2016 e 2017, trabalhando no desenvolvimento de projetos para concursos nacionais de arquitetura, recebendo diversas premiações. Como estudante, foi premiado em concursos nacionais de arquitetura em 2015, 2016 e 2017. Sendo em um deles, o Primeiro Lugar no Concurso 009 Ponte-Parque em Florianópolis realizado pelo projetar.org.


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