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  • Laila Rotter Schmidt

Papo com Marmota vs Milky - Carlos e Fabi

Atualizado: 10 de Jul de 2018

Eu já achava os personagens do Pixel Show incríveis, e passei a gostar mais ainda quando o Allan Szacher, Editor e Curador da Zupi, me contou como foi o processo criativo apresentando o escritório responsável, Marmota vs. Milky, formado pelo Carlos e Fabi. Convidá-los para serem jurados do concurso de ideias para a identidade visual do Museu da Criatividade - MUC fez todo sentido, pois se havia alguém que entendia de criatividade, do clima do Pixel Show e da diversidade da Zupi, eram eles.


Tive a oportunidade de conhecê-los pessoalmente durante o Pixel Show 2017. Eles são super queridos, divertidos e, claro, talentosos. Adorei conhecê-los e sou muito grata por terem aceito prontamente o convite de participar do júri e de compartilhar algumas ideias - mega inspiradoras - neste Papo de Projeto.


1. Vocês já participaram ou costumam participar de concursos? Qual é a importância desta prática para vocês?

Quando formamos o Marmota vs Milky o Carlos ainda trabalhava para uma agência de publicidade e a Fabi para uma editora. Atuar como ilustradores profissionais estava mais perto de uma resolução de final de ano do que uma realidade. Nem era por falta de vontade ou esforço. Era mais porque ainda não sabíamos como trabalhar juntos como dupla. Na época até produzimos alguns projetos autorais para saber como ficaria a mistura dos nossos estilos. Mas se pensarmos bem, esse era o menor dos problemas. Como é que dividiríamos o trabalho? Os dois finalizariam a ilustração ou cada um fica responsável por um etapa dela? Ou ainda, será que teríamos química para virarmos uma dupla?

Por isso aproveitamos alguns concursos da época para ganhar experiência. E pra falar a verdade essa iniciativa foi de grande valia pra gente! Pois ali amadurecemos nossa dinâmica de trabalho decupando briefings específicos, nos organizando para cumprir prazos e nos virando com limitações que projetos autorais não costumam ter. Apesar de não termos ganho nenhum concurso, nós aprendemos muito com eles. Pois, de forma prática, desenvolvemos novas habilidades, exercitamos como integrar um tema específico ao nosso estilo e descobrimos como solucionar problemas vindo de demandas alheias. Além da oportunidade de colocar no currículo e portfólio um projeto para um cliente específico.


2. O que faz os olhos brilharem ao ver o portfolio de um estudante ou de um profissional em um processo seletivo para trabalhar com vocês?

Quando se trata de um portfólio de um estudante costumamos valorizar mais as ideias por trás dos projetos do que técnicas usadas. Isso porque entendemos que técnicas serão aprimoradas ao decorrer do tempo e ainda pode existir muita experimentação neste estágio inicial de carreira. E para não cair apenas em gosto pessoal, tentamos observar se o portfólio possui trabalhos que transmitem boas ideias, se são consistentes e se o artista realmente se esforça para resolver um layout, ilustração ou design em geral ou apenas segue tendências.

Essa foi a parte lógica da nossa análise. Contudo, o que nos faz brilhar os olhos são as cores! Já tentamos racionalizar de várias maneiras esse nosso gosto mas é difícil de explicar. Todos os artistas e obras que admiramos têm uma preocupação com a paleta de cores se certo modo. Com um bom estudo de cores vocês enfatiza ideias e sentimentos que não precisam ser “verbalizados” e que ficam internalizados.


3. No processo de criação da Marmota vs Milky como funciona a colaboração e interação entre Carlos, Fabi e o restante da equipe e/ou parceiros?

Nosso processo criativo não segue nenhuma metodologia formal ou algo do tipo. Como somos uma dupla, nos resolvemos organicamente para desenvolver nossos projetos. Sempre comentamos que nos juntamos para combinar habilidades e equilibrar as nossas falhas e é isso que fazemos! Assim que entra um novo trabalho, nós sentamos para discutir sobre nossas ideias iniciais, levantar referências e decupar todas as informações da melhor maneira possível. Geralmente neste estágio, já percebemos quem teria mais facilidade de seguir com a maior parte do trampo deixando o outro como suporte. Contudo, muitas vezes chegam projetos direcionados para habilidades específicas que nem precisamos passar por todo esse processo, já que fica na cara quem pode fazer o trabalho! Vale dizer que já tivemos situações de que nenhum dos dois saberia fazer um trabalho mas usamos como experiência para aprender algo novo no caminho.

No caso de quando nos contratam para fazer parte de uma equipe acabamos adotando a mesma postura só que compartilhando nossa metodologia com todos do time. Para nós, a colaboração é um pilar de um bom projeto em grupo e, por isso, temos que entender bem qual é o nosso papel no projeto. Pois sabemos que é difícil resolver um trabalho quando há muitas pessoas envolvidas na criação. Então, se não é nossa função tomar grandes decisões costumamos nos ater ao que nos é exigido e dar opiniões pontuais sobre o que é importante no projeto.


4. Em meio à complexidade do contexto contemporâneo, vocês acreditam que há espaço para o design minimalista, de base modernista?

Para nós há espaço para tudo e todos! Estamos em uma época democrática em relação a arte e podemos achar exemplos de qualquer tipo de estilo e influência por aí. Depende de onde você procura suas referências e qual caminho você se acha mais confortável seguir. O que acontece é que hoje é fácil nos colocarmos em uma bolha em que recebemos/percebemos apenas o que nos é (in)conveniente. Isso pode levar a posições polarizadas e vazias. Por isso, não costumamos julgar trabalhos apenas usando o critério de função x estética. As vezes a função de uma obra é ser esteticamente agradável e outras vezes a estética é fruto de uma função específica.

Houve uma época em que éramos mais preocupados em encontrar um estilo próprio. Hoje, estamos empenhados em achar uma voz que se conecte com outras pessoas. Acreditamos que está acontecendo um movimento para um olhar além da estética. Pois esta é apenas uma maneiras encontrada para passar uma mensagem. Em vez de usarmos dicotomias, procuramos construir uma pluralidade do olhar. Pelo menos essa é uma característica de outros artistas com quem nos relacionamos. Bom, ainda não temos como classificar ao certo se isso será um atributo de uma vanguarda vindoura, mas é melhor deixar isso para os historiadores do futuro. :) :)


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Marmota vs Milky é um casal de ilustradores de estilo versátil mas que assina seus trabalhos com cores marcantes. A dupla é fruto da mistura de uma formação em design gráfico, experiências com arte de rua e flertes com artes plásticas. Por isso estão sempre atrás de novas técnicas, mídias e linguagens para evoluir. Esses são alguns dos clientes mais legais com quem já trabalharam até agora: Academia de Filmes, Africa, Almap BBDO, Ben&Jerry’s, David The Agency, Editora Abril, Editora Spring, El Cabriton, Faber Castell, Galápagos Jogos, NET, Puma e Zupi. 

O casal integrou o júri do 3º concurso de design do Portal de Concursos de Ideias para Estudantes Projetar.org

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