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  • Caio Smolarek Dias

Papo em Erika Mota

1. Qual é o objetivo do programa Soluções para Cidades?

O programa soluções para cidades, idealizado e desenvolvido pela ABCP há mais de 10 anos, tem o objetivo de instrumentalizar e levar capacitação e conteúdo/informação para as prefeituras de todo o país. É uma plataforma que contém uma série de elementos, como os seminários, onde contamos com iniciativas inspiradoras, projetos técnicos, ciclo de palestras, concursos para estudantes e ainda uma série de publicações. O objetivo é capacitar e levar conhecimento técnico para as prefeituras.

No Concrete Show, especialmente, nós organizamos um seminário associado à entrega de um prêmio. Dependendo da temática do prêmio, desenvolvemos uma grade para o seminário. Nós abordamos mobiliário urbano na primeira edição; em seguida o desenvolvimento de um sistema cicloviário para a cidade de São Sebastião do Paraíso em Minas Gerais; após este, o desenvolvimento de medidas para habitação de áreas de risco em Ubatuba. O quarto prêmio já foi em parceria com a Projetar.org que foi o desenvolvimento de uma parada de ônibus, e no quinto a Rua do Futuro.


2. O 32º Concurso Projetar.org é também o 5º Prêmio Soluções para as Cidades. Por que você acredita que realizar um concurso atrelado ao Seminário é importante?

Acreditamos que devemos colocar questões reais para que os estudantes e jovens arquitetos possam pensar cidades. É muito importante que possamos desenvolver soluções efetivas que tratem de uma realidade local, não idealizada. Muitas vezes os alunos são limitados ao meio acadêmico, e acreditamos em pensar cidades de uma forma real.

Estamos organizando algo que parte de um problema real e tenta trazer uma solução a partir de um concurso de ideias. A ideia é realmente de abrir. É menos focado em fechar numa situação real e sim abrir para as possibilidades e imaginar o que seria uma rua do futuro. Como vai ser a cidade do futuro e como essa rua vai ser contemplada nela.

Convidamos os alunos a pensar como será a sociedade, como será o usuário da rua, assim como todos os elementos que precisam ser contemplados de forma que atenda às necessidades desse usuário.

Pela primeira vez estamos fazendo algo mais amplo e foi muito bacana encontrar na Projetar um parceiro para desenvolver essas ideias e deixar/permitir que a gente receba as ideias desses jovens profissionais.


3. Na sua visão, como o futuro e o concreto podem se encontrar?

O cimento na verdade faz parte da nossa história, passada, faz parte do nosso presente, é o hoje o segundo produto mais consumido no mundo depois da água e não vejo como será diferente no futuro. Ele tem versatilidade, flexibilidade imensa em construções, garante beleza, garante resistência, garante flexibilidade.

Naturalmente a tendência é que os materiais sempre melhorem, e já vem sendo feito com concretos permeáveis, concretos translúcidos, e uma série de outras possibilidades que vêm surgindo de acordo com as necessidades. Por outro lado, na minha visão o cimento tem uma alta aplicação nas ruas do futuro, já que é impermeável, possui coloração clara que garante a redução de ilha de calor, dentre muitas outras.

Além disso, em relação a sustentabilidade, o cimento hoje permite a destruição de uma série de resíduos de outras indústrias. Na fabricação do cimento se incorporam uma série de outros resíduos de setores de outras indústrias e que não mudam sua característica. Assim permite que a gente destrua resíduos de outras indústrias, como os pneus. A quantidade de pneus que vai na fabricação do cimento é uma coisa bastante expressiva.


4. Que dicas você daria para as equipes participantes do Concurso?

Prestem atenção na necessidade dos usuários, o que a gente vai precisar daqui pra frente? Como as ruas estão sendo construídas hoje e de que forma essas ruas atendem ou não essas necessidades do presente? Como o futuro usuário será atendido pelas vias urbanas?

Nós continuaremos vivendo nas mesmas cidades, então sugiro atender efetivamente as pessoas. É um olhar de ideias, de futurismo, mas muito ligada e relacionada ao que as pessoas necessitam. Como as pessoas vão se deslocar? Como as pessoas vão contemplar a cidade? Como elas vão poder usufruir dessa cidade?


ÉRIKA MOTA é especialista em Gestão Pública, gerente da Área de Cidades da ABCP. Engenheira civil graduada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Pós-graduada em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em gestão pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Lidera há nove anos o Programa Soluções para Cidades.

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